CONHEÇA AS SERPENTES MAIS PERIGOSAS DO BRASIL E ONDE ELAS VIVEM (GN - NOTÍCIAS)

Descubra quais são as serpentes mais peçonhentas do Brasil, onde elas vivem e como identificar. Conheça as jararacas, cascavéis, surucucus e corais-verdadeiras e o essencial soro antiofídico/Reprodução




O Brasil é um país abençoado com uma biodiversidade impressionante, e isso inclui uma variedade enorme de serpentes. Mas, entre as mais de 4 mil espécies de cobras espalhadas pelo mundo, um grupo específico merece nossa atenção e respeito: as serpentes peçonhentas. Elas são animais que, ao contrário dos venenosos (que causam mal se ingeridos, por exemplo), têm um sistema especial para injetar veneno diretamente na vítima, usando presas ou ferrões.



Como Saber Se Uma Serpente É Peçonhenta?

Identificar uma serpente peçonhenta pode ser um desafio, mas existem algumas pistas. Uma delas é a presença de fossetas loreais. Pense nelas como pequenos "furos" que ficam entre o olho e a narina da cobra, um de cada lado da cabeça. Essas estruturas funcionam como sensores de temperatura, ajudando a serpente a caçar. Jararacas, cascavéis e surucucus, por exemplo, possuem essas fossetas, indicando que são peçonhentas.

Porém, nem toda serpente peçonhenta tem fosseta loreal. As corais-verdadeiras são um exemplo, e elas são perigosíssimas. Outra forma, mais técnica, de identificar, é pela análise dos dentes:
  • Áglifa: Dentes todos do mesmo tamanho (como nas jiboias, que não são peçonhentas).
  • Opistóglifa: Uma presa maior na parte de trás da boca, para injetar o veneno (como nas corais-verdadeiras).
  • Proteróglifa: Presas maiores na parte da frente da boca.
  • Solenóglifa: Um par de presas grandes e retráteis, que são características das jararacas.
Conheça As Quatro Mais Perigosas do Brasil

A Jararaca: A Campeã De Acidentes

As jararacas, do gênero Bothrops, são as grandes responsáveis pela maioria dos acidentes com cobras no Brasil. Elas se dão bem em vários lugares, desde florestas e campos até áreas urbanas, e estão espalhadas por quase todo o país, com mais presença no Sudeste e Sul. A cor delas varia entre verde-oliva e marrom, com manchas em zigue-zague pelo corpo.

O veneno da jararaca causa estrago de verdade: inchaço forte, sangramentos e até necrose (morte de tecido) no local da picada. Elas são "estressadas" e reagem rápido, o que aumenta a chance de picadas.

A Cascavel: O Chocalho Do Cerrado

Reconhecida facilmente pelo chocalho na cauda, a cascavel (gênero Crotalus) adora regiões mais secas, como o Cerrado e a Caatinga, mas também aparece em campos e florestas. Sua pele é um misto de marrom e amarelo, formando padrões de losangos.

Embora seu veneno seja considerado menos potente que o de outras serpentes dessa lista, a cascavel é extremamente perigosa. Ele age no sistema nervoso e nos músculos, podendo causar paralisia e problemas para respirar. Os acidentes com cascavéis, mesmo sendo menos frequentes que com jararacas, são muito graves por conta desses sintomas neurológicos.

A Surucucu: Gigante E Dona Da Floresta

A surucucu, também chamada de pico-de-jaca (Lachesis muta), é a maior serpente venenosa das Américas, podendo passar dos 3 metros de comprimento. Ela mora em florestas tropicais, principalmente na Amazônia e na Mata Atlântica. É uma espécie mais reservada, que prefere lugares úmidos e isolados, por isso os acidentes são mais raros, mas quando acontecem, costumam ser sérios e em áreas de difícil acesso.

Seu corpo é robusto, com escamas ásperas e um padrão de losangos pretos e marrons. O veneno da surucucu tem ação que afeta tanto o sistema nervoso quanto o sangue, provocando dor, inchaço e necrose.

A Coral-Verdadeira: Beleza Que Engana

As corais-verdadeiras (gênero Micrurus) são um espetáculo de cores, com seus anéis vermelhos, pretos e brancos ou amarelos. Mas cuidado! Esse padrão pode variar muito, e elas são frequentemente confundidas com as corais-falsas, que não oferecem perigo. Elas vivem em florestas, campos e áreas de transição, como o Cerrado, por todo o Brasil.

O veneno da coral-verdadeira é o mais potente entre as cobras que citamos. Contudo, ela é mais reservada e "assustada", o que faz com que os acidentes sejam menos frequentes, geralmente acontecendo quando alguém tenta pegá-la.

Soro Antiofídico: O Tratamento Essencial

Em caso de picada de serpente peçonhenta, a solução é o soro antiofídico. Ele é feito com o veneno das próprias cobras, que é injetado em pequenas doses em cavalos. O corpo dos animais cria anticorpos, que depois são retirados e purificados para fazer o soro. Cada tipo de soro é específico para o veneno de cada espécie de serpente.

Para jararacas e cascavéis, usa-se o soro antibotrópico (que serve para mais de um tipo de veneno) e anticrotálico.

Para as corais-verdadeiras, o soro é o antielapídico.
E para as surucucus, existe o antibotrópico-laquético.

O Instituto Butantan, em São Paulo, é um gigante na produção desses soros no Brasil. Eles não só fabricam e distribuem para hospitais, mas também pesquisam e desenvolvem novas formas de tratamento, salvando muitas vidas.

O Que Fazer Se For Picado Por Uma Cobra?

Se, por acaso, alguém for picado por uma cobra, o mais importante é manter a calma e procurar ajuda médica imediatamente. É bom tentar memorizar as características da serpente – como as cores e os padrões – ou tirar uma foto, se for seguro, para ajudar os médicos a identificarem a espécie e aplicarem o soro correto. Nada de tentar capturar a cobra ou manipular o local da picada! O diagnóstico rápido e preciso faz toda a diferença para a recuperação.

Chico Sabe Tudo

 

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