MENOPAUSA - COMO MANTER SAÚDE E VITALIDADE PELOS PRÓXIMOS 30 ANOS (GN - SAÚDE)

Médico Dr. Guthyerres Carvalho explica como hábitos saudáveis e tratamento individualizado favorecem uma longevidade ativa após a menopausa/Acervo Pessoal





O aumento da expectativa de vida das brasileiras trouxe uma nova realidade para a saúde da mulher: hoje, muitas passam cerca de 30 anos da vida após a menopausa. Apesar de representar uma parcela significativa da vida adulta, esse período ainda costuma ser associado apenas ao fim da fase reprodutiva. Especialistas, no entanto, defendem uma mudança de perspectiva. Mais do que encerrar um ciclo, a menopausa pode marcar o início de uma fase de longevidade produtiva, desde que seja acompanhada por cuidados voltados à prevenção e à manutenção da saúde.



Com a redução dos níveis hormonais, o organismo feminino passa por mudanças que podem favorecer o aumento da gordura abdominal, a perda de massa muscular, a redução da densidade óssea e um maior risco para doenças cardiovasculares, diabetes e alterações cognitivas. Ao mesmo tempo, avanços na medicina têm permitido estratégias cada vez mais individualizadas para reduzir esses impactos e promover um envelhecimento mais saudável.

"Hoje sabemos que a menopausa vai muito além dos sintomas mais conhecidos. É uma fase em que o organismo passa por mudanças importantes, que influenciam o metabolismo, a composição corporal, a saúde cardiovascular, óssea e até a função cerebral. Quando essas alterações são identificadas precocemente, conseguimos adotar estratégias para preservar qualidade de vida e reduzir o risco de diversas doenças no futuro."

Entre as abordagens que vêm ganhando espaço está o conceito conhecido como "biohacking" da menopausa, que reúne intervenções voltadas à otimização do funcionamento do organismo. A estratégia envolve alimentação equilibrada, prática regular de exercícios físicos, fortalecimento muscular, controle da inflamação sistêmica, melhora da qualidade do sono, redução do estresse e, quando há indicação médica, terapia de reposição hormonal.

De acordo com o especialista, o objetivo não é apenas aliviar os sintomas característicos dessa fase, mas preservar a disposição física, a autonomia e a capacidade cognitiva ao longo do envelhecimento.

"A perda hormonal favorece alterações metabólicas que podem aumentar o acúmulo de gordura abdominal, reduzir a massa muscular e elevar processos inflamatórios crônicos. Trabalhar esses fatores de forma integrada ajuda a manter energia, disposição, força física e desempenho cognitivo por muito mais tempo."

Outro aspecto que merece atenção é a chamada "menopausa silenciosa". Nem todas as mulheres apresentam sintomas clássicos, como ondas de calor intensas. Em muitos casos, as primeiras manifestações surgem de forma discreta, incluindo fadiga persistente, dificuldade de concentração, alterações do humor, insônia e redução da libido, sinais frequentemente confundidos com o envelhecimento natural ou com o excesso de responsabilidades do dia a dia.

"Nem toda mulher apresenta ondas de calor intensas. Em muitos casos, os primeiros sinais aparecem como fadiga persistente, alterações de humor, dificuldade para dormir ou perda de rendimento nas atividades diárias. Por isso, é importante olhar para esses sintomas de forma ampla e buscar avaliação médica, em vez de simplesmente normalizá-los."

Para o Dr. Guthyerres Carvalho, falar sobre menopausa também significa falar sobre prevenção. A adoção de hábitos saudáveis, aliada ao acompanhamento médico regular e a tratamentos individualizados quando necessários, pode reduzir significativamente o risco de doenças crônicas e contribuir para que a mulher mantenha independência, qualidade de vida e produtividade por muitos anos.

"A mulher não deve enxergar a menopausa como o fim de um ciclo, mas como o começo de uma fase em que cuidar da saúde faz ainda mais diferença. O objetivo hoje não é apenas viver mais, mas viver melhor, preservando autonomia, vitalidade e qualidade de vida durante as próximas décadas."

IG

 

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