Escolher entre capacete fechado e aberto vai além da estética. Entenda como o modelo integral protege seu cérebro e rosto de lesões graves em caso de acidentes/Reprodução
Para quem pilota moto, a escolha do capacete vai muito além de ter um acessório bonito ou que combine com o estilo. Na verdade, decidir entre um modelo fechado (integral), um articulado (escamoteável) ou um aberto pode ser a diferença entre a vida e lesões graves no cérebro e no rosto. Entender o que cada um oferece é crucial para garantir a sua proteção em caso de um acidente.
Capacete integral: o guardião da cabeça e do rosto
Quando o assunto é segurança, o capacete integral, aquele que cobre toda a cabeça e o rosto, leva uma vantagem enorme. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a queixeira fixa, característica desse modelo, reduz drasticamente o risco de traumas sérios na face e na mandíbula. Isso acontece porque a estrutura sólida do capacete fechado distribui a força de um impacto de forma mais uniforme por todo o crânio, seja numa batida lateral ou frontal.
Imagine que você está em alta velocidade e algo atinge seu rosto. Com o capacete fechado, o impacto é absorvido pela estrutura. Além disso, o design aerodinâmico desses capacetes ajuda a proteger o pescoço e as conexões nervosas que ligam o cérebro à coluna, minimizando o esforço cervical e oferecendo maior estabilidade.
Entendendo os diferentes tipos de capacete
A proteção que cada capacete oferece varia bastante. Veja um comparativo:
- Capacete Integral (Fechado): Ele oferece proteção total para a mandíbula e o rosto, sendo o mais eficiente para absorver impactos, inclusive aqueles que causam rotação do cérebro.
- Capacete Escamoteável (Articulado): Esse modelo é versátil, pois permite levantar a queixeira. No entanto, em impactos muito fortes, a trava da queixeira pode falhar, comprometendo a segurança.
- Capacete Aberto: Prioriza a ventilação e um campo de visão maior. Contudo, deixa o queixo e o rosto completamente expostos, vulneráveis em caso de queda ou impacto com objetos.
O perigo dos impactos rotacionais para o cérebro
Você já ouviu falar em lesões axonais difusas? Elas acontecem quando o cérebro gira bruscamente dentro da cabeça após um impacto. É algo muito sério e pode causar danos permanentes. Aqui, o capacete fechado se destaca novamente. Por ter um design mais liso e aerodinâmico, ele desliza melhor no asfalto em caso de queda, diminuindo esse "torque" perigoso no cérebro. Além disso, o preenchimento interno de EPS (um tipo de isopor de alta densidade) nos modelos integrais é mais completo e contínuo, oferecendo uma absorção de impacto superior.
Conforto e visibilidade versus segurança
É verdade que o capacete aberto pode oferecer uma percepção auditiva melhor do ambiente e mais ventilação, o que é um alívio em dias quentes e no trânsito pesado. Ele também é mais leve, o que reduz a inércia da cabeça em movimentos bruscos. Porém, esses benefícios vêm com um preço alto em termos de segurança. A falta de proteção frontal é uma desvantagem enorme, sem contar a exposição à poluição e ao ressecamento dos olhos, que pode causar cansaço visual e tirar sua atenção da via.
Os capacetes fechados mais modernos, por outro lado, contam com sistemas de ventilação inteligentes que ajudam a controlar a temperatura interna sem abrir mão da proteção. E o isolamento acústico superior é outro ponto positivo: ele protege o cérebro da fadiga causada pelo barulho constante do vento, permitindo que você mantenha o foco na pilotagem por mais tempo.
Capacete aberto na estrada? Especialistas desencorajam
Pilotos que usam capacetes abertos em rodovias correm riscos desnecessários. Em altas velocidades, o arrasto do vento pode puxar o capacete para trás, pressionando a cinta jugular contra a garganta e causando desconforto. Além disso, a probabilidade de ser atingido por detritos, pedras ou insetos é muito alta. Para viagens intermunicipais ou qualquer trecho de estrada, o capacete fechado é a única opção que oferece a robustez necessária para proteger contra impactos severos.
Por isso, ao escolher seu próximo capacete, pense nele como um investimento na sua saúde neurológica e estética. O rosto faz parte do crânio e merece a mesma blindagem que o topo da cabeça. Um capacete integral de boa qualidade é, na verdade, um seguro de vida para as suas funções cognitivas.
Chico Sabe Tudo

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