VILIPÊNDIO: VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER ULTRAPASSA A MORTE E ATINGE CORPOS E DIGNIDADE (GN - ARTIGOS)

A psicóloga Natiane Matos discute os danos psicológicos da violência contra a mulher e seu impacto nas famílias das vítimas/Redes Sociais





Ao longo dos anos, o corpo da mulher sempre esteve marcado por diversas formas de violência. Da imposição sobre como se vestir, até a violência física e sexual, a figura feminina foi tratada como algo em que os homens poderiam exercer poder, desumanizando a pessoa por trás da carne.



Com o recente caso da influenciadora e tiktoker Maria Eduarda Alves, conhecida como Duda Alves, que mesmo após o falecimento foi vítima de uma agressão à sua dignidade ao ter seu cadáver sexualizado nas redes sociais, percebe-se que a violência contra a mulher não acaba depois da morte.

Vilipêndio: o que é e como afeta as mulheres

Duda Alves foi vítima de vilipêndio, o ato de desprezar, desrespeitar, ultrajar ou humilhar o corpo ou cinzas de uma pessoa falecida. Em publicações nas redes sociais, internautas fizeram comentários criminosos sobre se aproveitar do corpo sem vida da influenciadora.

“Eita como eu queria trabalhar no IML nessas horas hein. Rapaziada deve tá tudo feliz lá, tem que aproveitar enquanto tá quente”, disse um usuário do X, antigo Twitter, logo após apagando seus perfis nas redes sociais por ser cobrado pelo comentário criminoso.

Vale reforçar que vilipêndio de cadáver é crime no Brasil, previsto no 212 do Código Penal Brasileiro, com detenção de um a três anos, além de multa. 

Em situações como essas, é visível como o corpo da mulher pode continuar sendo alvo de violação e desrespeito, revelando uma dimensão de violência de gênero que ultrapassa os limites da vida e expõe a situação de vulnerabilidade que as mulheres se encontram.

Desumanização da mulher 

O ato criminoso reforça como a população masculina ainda enxerga o corpo feminino como um objeto, devido a estruturas históricas de desigualdade que perpetuam a violência contra a mulher.

Em "O Segundo Sexo", a filósofa francesa Simone de Beauvoir reflete sobre a figura feminina na sociedade, ela coloca a visão do homem sobre a mulher como a de um outro ser, que, por ser diferente do dele deveria ser subjugado.

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Bnews

 

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