Terapia de reposição hormonal é associada a menor risco de Alzheimer, aponta estudo/Foto: Pexels
A terapia de reposição hormonal (TRH), utilizada para aliviar sintomas da menopausa, como ondas de calor e suores noturnos, também pode estar relacionada à saúde cerebral. Um amplo estudo internacional identificou risco 16% menor de Alzheimer entre mulheres que fizeram reposição hormonal, em comparação com aquelas que nunca utilizaram o tratamento.
Publicado na revista científica Alzheimer’s & Dementia, o estudo analisou dados de 183.450 mulheres na pós-menopausa, acompanhadas por uma média de 13,3 anos. Durante o período, foram registrados quase 4 mil casos de demência.
Pesquisadores das universidades de East Anglia e Exeter, no Reino Unido, avaliaram mulheres que utilizaram a terapia hormonal por pelo menos um ano. A análise levou em consideração fatores biológicos, genéticos e outras condições que poderiam influenciar o risco de demência.
De acordo com os resultados, as mulheres que fizeram TRH apresentaram 10% menos probabilidade de desenvolver qualquer tipo de demência e 16% menos risco de Alzheimer. Os efeitos, porém, variaram conforme as características das participantes.
A maior diferença foi observada entre mulheres que passaram por menopausa cirúrgica. Nesse grupo, o risco de desenvolver demência foi 26% menor entre as usuárias da terapia hormonal.
O tempo de exposição natural ao estrogênio ao longo da vida também apareceu associado aos resultados. Mulheres que tiveram menor exposição ao hormônio, devido ao início mais tardio da menstruação ou à menopausa precoce, apresentaram risco 16% menor de demência quando utilizaram a TRH.
A genética também teve influência. A associação com menor risco de demência foi mais evidente entre mulheres portadoras da variante APOE4, considerada um dos principais fatores genéticos associados à predisposição ao Alzheimer.
Idade de início pode fazer diferença
Outro aspecto analisado foi a idade em que a terapia hormonal foi iniciada. As mulheres que começaram o tratamento entre 46 e 56 anos apresentaram maior redução no risco de demência.
O resultado reforça a chamada “hipótese da janela crítica”, segundo a qual a terapia hormonal poderia estar associada a efeitos mais favoráveis quando iniciada próxima ao período de transição para a menopausa. A mesma associação não foi observada com igual intensidade quando o tratamento começou fora dessa faixa etária.
A pesquisa dá continuidade a estudos anteriores da Universidade de East Anglia que relacionaram a reposição hormonal a melhores resultados de memória e cognição e a maiores volumes cerebrais em mulheres mais velhas portadoras da APOE4.
Os pesquisadores destacam que os resultados podem contribuir para uma abordagem mais individualizada da terapia hormonal, levando em consideração fatores como o tipo de menopausa, idade de início do tratamento, exposição ao estrogênio ao longo da vida e perfil genético.
Apesar dos resultados, o estudo não comprova que a reposição hormonal previna o Alzheimer ou outras formas de demência. A pesquisa identificou uma associação entre o uso da terapia e menor risco, e novas investigações são necessárias para compreender melhor essa relação.
Os achados ampliam o debate sobre os possíveis efeitos da terapia de reposição hormonal, que tradicionalmente tem como principal objetivo o controle dos sintomas da menopausa.
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