Só quem ganhou com a ida de Alfredo Gaspar (PL) para o barco bolsonarista foi Arthur Lira (PP), que se livrou de um adversário na corrida ao Senado/Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados
Flávio Bolsonaro fez uma espécie de chá revelação para anunciar quem ocuparia o cargo de vice em sua chapa à Presidência.
Onze em cada dez aliados pediam que fosse uma mulher. A explicação é a alta rejeição entre o eleitorado feminino.
Tereza Cristina, Daniella Marques, Priscila Costa, Renata Abreu, Júlia Zanatta e até Michelle Bolsonaro foram cortejadas. Flávio tomou uma bota de cada uma, barradas por questões partidárias, programáticas ou familiares, no caso da ex-primeira-dama.
No fim, durante o anúncio, o candidato da extrema-direita abriu a caixa e revelou que a escolha era um menino. Grandinho, cheio de controversas, metido a brucutu, e com uma investigação de estupro de vulnerável aberta contra ele no STF.
Ex-secretário de Segurança e deputado federal eleito por Alagoas, Alfredo Gaspar passa longe de ser o vice dos sonhos. Não atrai qualquer partido para o bloco (até aqui sozinho) de Flávio nem estende pontes com eleitorados distintos daquele que o senador já alcança.
No anúncio, Flávio se cercou de aliadas mulheres e fez um aceno indiscreto ao eleitorado conservador dizendo que “fez” duas filhas para garantir cuidado quando “ficar velhinho”. “Mulheres são assim, são coração", disse, diante de gestos afirmativos, com a cabeça, da claque.
A declaração é uma ofensa em diversos sentidos, e não remedia a escolha de um possível agressor sexual na chapa – um entre tantos que estão no mesmo barco que ele.
Só quem se deu bem nessa história foi Arthur Lira (PP-AL), ex-presidente da Câmara que tenta chegar ao Senado em outubro e enfrentava dificuldades. As pesquisas colocavam o próprio Gaspar, além de Renan Calheiros (MDB-AL), como favoritos ao posto.
Não foi por acaso que Lira participou de toda a articulação por Gaspar na véspera. Com a escolha de Flávio, ele rifou um adversário real e ficou mais perto de ser eleito.
Como diz o ditado: todo dia saem de casa um malandro e um otário…O otário só não sabe que é um.
Por: Matheus Pichonelli (IG)

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