Saiba o que muda entre os tipos de medicamentos, como identificá-los e quando a troca deve ser feita com orientação profissional/Divulgação STF
Na farmácia, é comum surgir a dúvida na hora de escolher entre um medicamento genérico, similar ou de referência. Apesar de terem diferenças na forma de comercialização, todos precisam cumprir critérios estabelecidos pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para garantir qualidade, segurança e eficácia.
A principal distinção está no nome comercial, no preço e nos requisitos para comercialização. Em muitos casos, o medicamento genérico pode substituir o de referência sem prejuízo ao tratamento, mas existem situações em que a troca deve ser avaliada por um profissional de saúde.
O que define cada categoria
A Anvisa divide os medicamentos em três categorias principais: referência, genéricos e similares.
Medicamento de referência
O medicamento de referência é o produto inovador registrado na Anvisa após estudos que comprovam sua qualidade, segurança e eficácia. Ele costuma ser o primeiro a conter determinado princípio ativo, que é a substância responsável pelo efeito terapêutico do medicamento, aprovado para comercialização no país.
Normalmente, é vendido com um nome comercial (marca) e serve como padrão para comparação dos demais medicamentos.
Medicamento genérico
O medicamento genérico contém o mesmo princípio ativo, ou seja, a substância responsável pelo efeito do remédio, na mesma concentração, na mesma forma farmacêutica (a forma de apresentação do medicamento, como comprimido, cápsula, pomada ou solução), pela mesma via de administração (a forma como o medicamento é usado, como por via oral, injetável ou aplicada na pele) e com a mesma indicação de tratamento do medicamento de referência.
Ele não possui marca comercial e é identificado pelo nome do princípio ativo. Além disso, só pode ser registrado após demonstrar equivalência farmacêutica, que comprova que possui a mesma composição e qualidade do medicamento de referência, e bioequivalência, que demonstra que o organismo absorve o medicamento da mesma forma que o produto de referência.
Medicamento similar
O medicamento similar também possui o mesmo princípio ativo, a mesma concentração, a mesma forma farmacêutica, a mesma via de administração, a mesma posologia (a dose e a frequência com que o medicamento deve ser utilizado) e a mesma indicação do medicamento de referência.
A principal diferença é que ele possui marca própria. Atualmente, para ser intercambiável com o medicamento de referência, o similar também precisa comprovar equivalência farmacêutica e bioequivalência, conforme as exigências da Anvisa.
Bioequivalência e intercambialidade
Um dos principais conceitos para entender a segurança dos medicamentos é a bioequivalência.
Esse teste demonstra que o organismo absorve o medicamento genérico ou similar da mesma forma que o medicamento de referência. Na prática, isso significa que eles apresentam comportamento equivalente no organismo e produzem o mesmo efeito esperado quando utilizados corretamente.
Outro conceito importante é a intercambialidade, que é a possibilidade de substituir um medicamento por outro equivalente sem comprometer a qualidade, a segurança ou a eficácia do tratamento.
Segundo a Anvisa:
- medicamentos genéricos são intercambiáveis com os medicamentos de referência;
- medicamentos similares também podem ser intercambiáveis, desde que tenham sido aprovados nos testes exigidos pela agência.
Essas exigências garantem que a substituição ocorra sem perda de qualidade, segurança ou eficácia.
Como identificar na caixa
O consumidor pode identificar cada categoria observando a embalagem.
Genérico
O medicamento genérico possui características bastante conhecidas:
- tarja amarela com a letra G;
- frase “Medicamento Genérico”;
- identificação pelo nome do princípio ativo, sem marca comercial.
Similar
O medicamento similar apresenta:
- nome comercial (marca);
- princípio ativo informado na embalagem;
- não possui a tarja amarela característica dos genéricos.
Referência
Já o medicamento de referência é vendido com a marca desenvolvida pelo fabricante e corresponde ao produto utilizado como padrão nas avaliações da Anvisa.
Eficácia e preço
Uma dúvida frequente é se o medicamento genérico é menos eficaz por ser mais barato. Segundo a Anvisa, os medicamentos genéricos aprovados apresentam a mesma qualidade, segurança e eficácia do medicamento de referência. O menor preço ocorre por outros fatores, como:
- ausência dos custos de pesquisa para desenvolver um novo medicamento;
- menor investimento em publicidade e divulgação da marca;
- maior concorrência no mercado.
Por isso, os genéricos costumam representar uma alternativa mais econômica sem comprometer os resultados do tratamento.
Quando não trocar sem orientação
Embora a intercambialidade seja prevista pela regulamentação da Anvisa, existem situações em que a troca de medicamentos deve ser discutida com o médico ou farmacêutico.
Isso é especialmente importante em medicamentos de margem terapêutica estreita, expressão usada para remédios em que pequenas diferenças na quantidade do medicamento presente no organismo podem reduzir o efeito esperado ou aumentar o risco de efeitos colaterais.
Além desses casos, pacientes em tratamento para transtornos mentais, como depressão, ansiedade, transtorno bipolar e esquizofrenia, também não devem trocar o medicamento por conta própria.
Embora existam medicamentos genéricos e similares aprovados pela Anvisa para diversos antidepressivos, ansiolíticos e antipsicóticos, a substituição deve ser acompanhada pelo profissional responsável pelo tratamento. Isso porque mudanças na medicação, na dose ou até mesmo no fabricante podem exigir monitoramento para avaliar a resposta clínica e possíveis efeitos adversos.
Entre os exemplos frequentemente citados na literatura médica estão alguns medicamentos utilizados para epilepsia, doenças da tireoide, prevenção da rejeição em transplantes e tratamento com anticoagulantes.
Por isso, qualquer mudança durante o tratamento deve ocorrer apenas com orientação do médico ou farmacêutico.
O que diz a Anvisa
A Anvisa reforça que medicamentos de referência, genéricos e similares só podem ser comercializados após atenderem aos critérios de qualidade, segurança e eficácia definidos pela legislação brasileira.
Assim, quando um medicamento é considerado intercambiável, isso significa que a agência verificou, por meio de estudos técnicos, que ele pode substituir o produto de referência mantendo o mesmo desempenho terapêutico.
IG

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