O uso contínuo de fones em volume elevado é um risco invisível para a audição, podendo causar danos permanentes. Saiba como se proteger e reconhecer os sinais/Reprodução Olhar Digital
Muitas pessoas, sejam elas músicos, profissionais que participam de incontáveis reuniões online ou simplesmente amantes da música, passam horas por dia com fones de ouvido. O que poucos sabem é que, por trás do prazer sonoro ou da rotina de trabalho, esconde-se um perigo silencioso: o volume alto que, pouco a pouco, pode causar danos irreversíveis à audição. Esse desgaste gradual muitas vezes é ignorado até que seja tarde demais.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) já alertou: mais de um bilhão de jovens correm sério risco de perder a audição por causa de práticas de escuta perigosas. O grande problema é que nosso cérebro se adapta ao som intenso. Depois de alguns minutos, ele "normaliza" o barulho, nos fazendo aumentar ainda mais o volume sem perceber o estrago que estamos causando aos nossos ouvidos.
Por que o volume alto dos fones é tão perigoso?
O perigo maior está nas delicadas células ciliadas dentro do ouvido, responsáveis por transformar as vibrações do som em sinais que o cérebro entende. Quando o volume está muito alto, essas células sofrem lesões. O uso contínuo e sem pausas impede que o ouvido se recupere do estresse, acelerando a "morte" dessas células. Não é algo que acontece de uma hora para outra, mas sim um processo que evolui em etapas:
- Fadiga Auditiva Inicial: É aquela sensação de ouvido "abafado" logo depois que você tira os fones. Um sinal de alerta!
- Zumbido Persistente: Se você começa a ouvir apitos ou chiados constantes, principalmente em ambientes silenciosos ou na hora de dormir, suas células auditivas estão em sofrimento.
- Perda Irreversível: Em um estágio mais avançado, a pessoa passa a ter dificuldade permanente para entender a fala das pessoas e de sons agudos.
Muitas vezes, a ajuda médica só é procurada quando a comunicação já está bem comprometida. No entanto, o corpo envia vários sinais bem antes de chegar a esse ponto crítico. O zumbido frequente, por exemplo, é um forte indicativo de que as células auditivas sofreram um trauma e estão lutando para sobreviver à sobrecarga de decibéis.
Outro sintoma comum é precisar pedir para as pessoas repetirem o que disseram, especialmente em lugares com muito barulho, como restaurantes cheios ou no escritório. Essa dificuldade em distinguir os sons mostra que a sensibilidade às frequências agudas já diminuiu, e é hora de mudar os hábitos.
""Zumbidos e a dificuldade em entender falas são alertas claros de que as células auditivas estão sofrendo e precisam de atenção.""
Qual o limite seguro para o uso de fones com volume alto?
Especialistas recomendam seguir a "regra dos 60/60". Ou seja, usar os fones com, no máximo, 60% do volume total e por não mais que 60 minutos seguidos. Ultrapassar essa margem de segurança expõe seus ouvidos a uma pressão sonora parecida com a de máquinas industriais, diminuindo drasticamente o tempo seguro de exposição.
A lógica é simples: quanto mais alto o som, menor deve ser o tempo de uso para evitar danos permanentes. Veja como a intensidade do som se relaciona com o tempo máximo seguro de exposição diária:
- 85 dB (Trânsito intenso / Fones médios): Até 8 horas por dia.
- 95 dB (Música alta no fone): Apenas 1 hora por dia.
- 105 dB (Volume máximo do celular): Menos de 15 minutos por dia.
Como proteger sua audição sem abrir mão dos fones?
Preservar a audição e, ao mesmo tempo, manter a produtividade ou o lazer é possível com algumas atitudes simples. Uma ótima opção é investir em fones de ouvido com cancelamento de ruído ativo (ANC). Essa tecnologia consegue isolar os sons externos, eliminando a necessidade de aumentar o volume para competir com o barulho do ambiente. Assim, você consegue ouvir tudo claramente com um volume muito mais baixo e seguro.
Além disso, adotar pausas estratégicas é fundamental. Faça uma pausa de dez minutos a cada hora de uso dos fones. Essa parada dá ao seu sistema auditivo o descanso necessário para se recuperar. É uma prática simples que previne o cansaço crônico do ouvido e garante que sua capacidade de ouvir continue boa por muito tempo.
Chico Sabe Tudo

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