Resultado mostrou que esse hábito estava associado a um risco aumentado de 172 doenças/Freepik
Se você é daqueles que têm o hábito de dormir em horários diferentes a cada dia, saiba que esse ato está associado a maior risco de doenças. Um novo estudo, publicado recentemente pela revista Health Data Science mostra que, não apenas a duração do sono importa, como também a regularidade com a qual se dorme.
A consistência dos horários de dormir e acordar e estabilidade do chamado ritmo circadiano pode ser ainda mais impactante para a saúde do que se imagina. A pesquisa analisou dados de mais de 80 mil adultos, acompanhados por uma média de 6,8 anos.
O resultado mostrou que padrões irregulares de sono estavam associados a um risco aumentado de 172 doenças que vão desde problemas circulatórios a distúrbios hepáticos. Em 92 dessas doenças, mais de 20% do risco foi atribuído a hábitos ruins de sono.
Os pesquisadores também identificaram que dormir após 00h30 de forma recorrente estava ligado a um aumento de 2,57 vezes do risco de desenvolver cirrose hepática. Já a baixa estabilidade do sono entre diferentes dias da semana se relaciona a 2,61 vezes mais risco de gangrena, que é a morte dos tecidos por falta de irrigação sanguínea.
Jet lag social
O ritmo circadiano, relógio biológico que regula as funções como sono, apetite e produção hormonal, pode ter seu funcionamento comprometido caso a pessoa durma em horários diferentes a cada dia ou tenha uma rotina muito diferente entre semana e fins de semana. Os especialistas afirmam que isso é um jet lag social, ou seja, um fuso horário interno desajustado.
Esse desajuste não afeta apenas o sono, mas também todos os hormônios que estão interligados, sobretudo aqueles relacionados à fome, à saciedade e à produção de células de defesa, que fazem com que todo o sistema precise trabalhar dobrado tentando ressincronizar funções, como explica Laura Castro, sócia da plataforma Vigilantes do Sono ao UOL.
Grupos vulneráveis
Quem realiza trabalho por turnos, além de adolescentes e idosos, são os mais suscetíveis aos efeitos dessa irregularidade do sono. É comum que adolescentes tenham uma tendência fisiológica a dormir mais tarde, que conflita com a rotina escolar. Já nos idosos, o sono tende a ser mais fragmentado devido à diminuição da produção de melatonina.
Laura explica ao UOL que o impacto pode ser tão grande que chega a interferir no ciclo menstrual: "Mulheres que passam a trabalhar em turnos noturnos, como comissárias de bordo, podem entrar em amenorreia (ausência de menstruação). Isso mostra o quanto o sono está entrelaçado com todos os hormônios do corpo", afirma.
Regulação do sono
Realizar pequenos ajustes na rotina podem trazer grandes benefícios. Manter horários regulares de dormir e acordar, o que inclui os fins de semana, além de praticar atividade física, evitar telas à noite e se expor ao sol pela manhã são medidas eficazes. "A luz do sol é o principal sincronizador do relógio biológico", explica Laura ao UOL.
Bnews

Nenhum comentário:
Postar um comentário