Interior da fábrica de linhas da Pedra, no interior de Alagoas/Imagem: Divulgação/Fundação Joaquim Nabuco
No início do século passado, em meio ao começo do processo de industrialização do Brasil, o interior do Nordeste sediou um complexo industrial inovador, com fábricas, estradas e até uma usina hidrelétrica para fornecer energia à produção. Fundada pelo empresário Delmiro Gouveia, a unidade, localizada no interior de Alagoas, sediava a fabricante de linhas de costura Estrela — que chegou a liderar o mercado brasileiro e exportava para diversos países da América Latina.
O crescimento acelerado da fabricante, no entanto, chamou a atenção da principal concorrente, a inglesa Machine Cotton, que iniciou um processo de perseguição à fabricante brasileira e passou a registrar a marca Estrela nos países vizinhos, dificultando a exportação brasileira — além de praticar dumping e pressionar comerciantes para que comprassem produtos fabricados no Nordeste.
O assassinato de Delmiro Gouveia, em circunstâncias até hoje misteriosas, abriu caminho para que a Machine Cotton finalmente comprasse o parque fabril alguns anos depois. Os gestores ingleses, no entanto, optaram por alterar a fábrica e jogaram o maquinário da Estrela no rio São Francisco. A iniciativa acabou por implodir a chance de industrialização daquela parte do Nordeste e, de maneira indireta, preservando a desigualdade social da região, segundo especialistas ouvidos pelo TAB. "Esse episódio, simbolicamente, significa a morte das fábricas no interior do Nordeste", disse Edvaldo Nascimento, doutor em história da educação pela UFPE (Universidade Federal de Pernambuco).
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Por: Vinícius Pereira/TAB (UOL)

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