Investigações apontam que criminosos atuam fora do estado e que funcionários das operadoras podem estar envolvidos/G1
O golpe do Whatsapp clonado tem feito mais vítimas nos últimos meses em Alagoas. Segundo a polícia, cerca de 70 casos já foram registrados. As investigações apontam que as principais vítimas dos criminosos têm sido médicos. Alguns desses casos estão sob a responsabilidade da Divisão Especial de Investigação e Capturas (Deic), que instaurou inquérito policial para investigar os crimes. Funcionários das operadores podem estar envolvidos no crime.
A última vítima desse tipo de golpe foi um médico, que teve seu número de telefone clonado na segunda-feira (7). À Gazetaweb, ele contou que seu aparelho celular ficou sem sinal e com a mensagem "sem serviço". Segundo depois, apareceu uma nova mensagem informando que ele precisaria verificar o número do celular e escrever um código de seis dígitos.
"Fiquei sem o WhatsApp e escrevi no Facebook usando o Wi-Fi de casa: temporariamente sem WhatsApp. No dia seguinte, fui para a loja da operadora saber o que tinha acontecido. Achava que era algum defeito no chip. Eles tiraram o chip e colocaram em outro aparelho. Ao ver que não funcionava, o vendedor disse: seu chip está queimado. Pedi, então, para resolver. Comprei outro chip e instalei", explica.
Ele conta que, ao ligar o celular, recebeu a ligação de uma amiga relatando que haviam pedido a ela R$ 7.400.
"Assim que liguei o celular, ele começou a tocar. Atendi e era uma amiga que estava preocupada comigo porque, no meu WhatsApp, eu estava pedindo dinheiro, R$7.400, para depositar em uma conta bancária. Eu expliquei aos vendedores que estavam comigo na loja, e eles disseram que o mesmo caso tinha acontecido há poucos dias citando os nomes dos clientes da operadora".
O médico decidiu usar as redes sociais para alertar amigos e familiares sobre o golpe. "Eu imediatamente postei no Facebook e Instagram que meu chip tinha sido clonado e que estavam usando meu Whastapp para pedir dinheiro emprestado"
Por sorte, até o momento, não há registros de depósitos feitos por amigos ou familiares do médico para a conta bancária fornecida pelos criminosos.
Em contato com a Gazetaweb, o delegado Thiago Prado informou que houve uma crescente nesse tipo de golpe no final do ano passado, principalmente envolvendo médicos como vítimas. Já são 70 casos registrados, mas esse número pode ser ainda maior.
As investigações apontam que os criminosos atuam fora do Estado e é possível que funcionários das operadoras tenham participação no golpe.
"Temos trabalhado muito junto às operadoras porque o modus operandi desse grupo necessita da participação de funcionários das operadoras, então a gente acredita que existem nessas quadrilhas de funcionários de telefonia móvel", declarou.
De acordo com o delegado, 90% dos casos são de linhas telefônicas da operadora Tim. A polícia de Alagoas tem trabalhando em conjunto com polícias de outros estados para investigar e localizar os criminosos.
"Estamos avançando nas investigações. Trabalhamos também com outros estados, porque os criminosos são de fora do Estado, isso já temos convicção", acrescentou Prado. "As investigações já nos mostraram isso, e a gente está trabalhando com outras polícias para efetuar a prisão de alguns envolvidos".
O delegado explica o que deve ser feito após cair no golpe do Whatsapp. "As pessoas devem ir até a operadora bloquear a linha e fazer o resgate do chip, solicitar a identificação do funcionário que efetuou a transferência do chip que estava em posse do dono por outro chip e, em seguida, ir à delegacia de polícia registrar boletim de ocorrência e, paralelo a isso, deve informar a parentes e amigos".
Ele ainda orienta como se proteger e não ser vítima desse tipo de golpe do mundo atual. "O usuário deve ativar a verificação em duas etapas do aplicativo Whatsapp para evitar que ele seja clonado e, assim, possa causar prejuízos a outras pessoas".
Por: Gazeta Web

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