Além de promover terror, o crime já causou inúmeros prejuízos para algumas pessoas/Imagens Ilustrativas
Ligações misteriosas, pessoas pedindo dinheiro para libertar supostos parentes em cativeiro. Este é chamado o famoso golpe do falso sequestro. Mesmo sendo conhecido por muita gente, é um negócio que ainda funciona e rende muito dinheiro para criminosos que procuram agir pelo telefone.
Geralmente, estes crimes são praticados por reeducandos que se encontram espalhados em presídios do Brasil. A maioria afirma ter sequestrado filho, marido, esposa e até os pais da vítima. Em troca, eles pedem o dinheiro para o suposto resgate.
Há dois anos, uma idosa, de 67 anos, viveu momentos de terror ao atender uma ligação de número desconhecido. O criminoso disse ter sequestrado seu filho e seu neto e, caso ela não depositasse uma quantia na conta do suposto sequestrador, ele iria matá-los.
"Fiquei muito apreensiva quando recebi a ligação, principalmente no momento em que ele colocou uma criança gritando pedindo socorro. Eu jurei que seria a voz do meu neto, era bastante parecida. Neste momento, entrei em estado de choque, fiquei chorando muito e pedindo socorro. Ele ordenou que eu não chamasse a polícia e pediu para eu depositar dois mil reais na conta dele e após isso eu aguardasse a chegada do meu neto e meu filho. Porém, quando olhei na conta, só tinha mil. Depositei tudo na conta em que ele pediu e aguardei. Isso ocorreu final de tarde. Quando foi às 19h, meu filho entrou com meu neto na minha casa e disse que nada aconteceu. Foi nesse momento em que eu retomei o raciocínio e vi que havia caído em um golpe. Cheguei a prestar queixa na polícia, no entanto, até hoje, foi um caso esquecido. Hoje, tenho medo de atender o telefone", relata.
Um fato curioso aconteceu com Vânia Martins. Ela recebeu uma ligação, na qual uma criança pedia socorro e dizia que era filha dela. "Eu fiquei muito assustada no início, a menina gritava e chorava pedindo socorro, dizendo que era minha filha. Como a voz pareceu, fiquei muito nervosa, me senti mal mesmo. Foi aí que meu marido ligou para o local, em que a minha filha estava e constatamos que não era ela e se tratava de um golpe", desabafa.
Em muitos casos, a vítima consegue manter a calma e identificar que o suposto sequestro na verdade não passa de uma fraude.
Maria Clemente, de 45 anos, estava em casa quando recebeu uma chamada em seu celular. Ao atender, o homem dizia que havia sequestrado seu filho e que iria matá-lo, caso ela não efetuasse um depósito no valor de R$ 5 mil na conta dele e colocasse R$ 100 em créditos no celular. Maria percebeu a ação criminosa, porque seu filho havia saído de casa há pouquíssimo tempo e já tinha chegado ao destino. Duas semanas após a ligação, a vítima ligou para o número e perguntou de onde era.
"Eu tinha acabado de chegar do trabalho, quando meu filho estava saindo para a faculdade e me avisou ao chegar. Foi então que eu recebi a ligação de um homem, que perguntou se eu tinha amor pelo meu filho e eu disse que sim. Aí ele falou que caso eu não fizesse o que ele mandasse iria matá-lo. Pediu dinheiro e eu debochei dele e mandei ele procurar o que fazer. Comentei com parentes e eles me incentivaram a ligar. Quinze dias depois liguei para o número por curiosidade, um homem atendeu e eu perguntei quem era, ele fez 'cê é louca?'. Aí, eu perguntei de onde era, ele me respondeu: 'Presídio Frei Damião, 157 e 121'. Em seguida, desligou",conta Maria.
Ela diz que procurou informações sobre o local e soube que se tratava de uma penitenciária localizada na Zona Oeste de Recife, em Pernambuco. Também percebeu que os números representam artigos do código penal. O 157 é o crime referente a roubo e 121, a homicídio.
De acordo com o setor de estatística da Polícia Civil de Alagoas, no ano de 2015, 10 vítimas do falso sequestro registraram um Boletim de Ocorrência. Neste ano, três casos já foram registrados.
Segundo o delegado Vinicius Ferrari, este é um crime de difícil identificação. "Eles colocam dados falsos, CPF e nome inválidos e inventam um endereço para comprar o chip, assim fica difícil para saber quem é o criminoso", conta Ferrari, que fala ainda sobre a escolha das vítimas, do perfil dos infratores e recomenda que, ao receber uma ligação desta natureza, tem que manter a calma. "Na maioria, as vítimas são escolhidas em números aleatórios e de outros estados. E maior parte das ligações são realizadas por presidiários. Ao receber uma chamada deste tipo, tem que manter a calma, porque pode ser golpe", informou.
Mesmo com muitas pessoas identificando o golpe, outras pagam muito caro por este tipo de crime.
Foi assim com Luzia, de 70 anos. Ela recebeu uma ligação que informava que seus dois netos e um sobrinho estariam na mira de revólveres. O infrator pediu R$ 7 mil para a libertação das vítimas do suposto sequestro. A idosa colocou o dinheiro dentro de uma bolsa, que foi abandonada em uma rua do bairro do Farol, a pedido dos criminosos.
"Foi tudo muito real, eles sabiam o meu nome, nome dos meus dois netos e do meu sobrinho. Pediu para que eu colocasse o dinheiro em uma mala e deixasse em uma rua do Farol. Fiz o que ele mandou, fui de taxi e discreta, não avisei a polícia e infelizmente caí em um golpe. Acreditei também porque um dos meus netos já foi envolvido com drogas, então tive medo que fosse alguma cobrança e fizessem algo de mal a eles", disse Luzia.
A idosa até hoje carrega marcas do prejuízo. "Este dinheiro era para a reforma de minha residência que já estava marcada. Tive que tirar empréstimos e, até agora, estou pagando por eles", ressaltou.
A Polícia Civil orienta que, ao sofrer este tipo de crime, deve ser feito um Boletim de Ocorrência em qualquer delegacia ou posto de atendimento.
Áudio sobre um caso de golpe AQUI.
Por: Gazeta Web


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