UM ABSURDO - "VENDERIA MEU FILHO POR R$ 30 MIL", DIZ MORADORA DE RUA DE MACEIÓ/AL (GN - AL)

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Em um primeiro momento, Luciana responde à reportagem: "jamais venderia meus filhos". Em seguida, surpreende dizendo que, "se aparecesse algum turista com R$ 30 mil...". Este foi um rápido depoimento de uma mãe de 12 filhos, que deu 5 deles por não poder criar e explora os demais nas ruas do centro de Maceió com um único objetivo: mendigar. Uma realidade se misturando aos mais de 900 moradores que convivem direta e indiretamente nas ruas da capital, mas que recebem atendimento do Município.

Durante esta semana, a Gazetaweb contou com o apoio de membros da equipe de abordagem da Secretaria Municipal de Assistência Social (Semas) para visitar alguns bairros da cidade, onde conversou com várias famílias. A realidade de moradores de rua e da população em situação de rua é vista em praças públicas, supermercados, farmácias, escolas, restaurantes, lojas comerciais.

Na Praça Ministro Freitas Cavalcante, ao lado da Bompreço da Ponta Verde, Elias Mendes da Costa, conhecido como Miller, 48 anos, estava sentado em um dos bancos, descansando para uma nova jornada de trabalho com reciclagem. Ele é auxiliar de pintura, mas não consegue arrumar um trabalho. Natural da Barra de Santo Antônio, Elias tem casa no conjunto Rosane Collor, na Cidade Universitária, mas prefere morar na rua porque se sente bem e ganha R$ 200 por semana. "Volto para casa final de semana, mas, no fundo mesmo, queria sair da rua", desabafa Elias, ao afirmar que só sabe assinar o nome.

Ana Maria dos Santos, 38 anos, é outra vítima da desigualdade social. Sem nenhuma documentação, a única alternativa encontrada por ele foi a reciclagem também. Afirma que gostaria de sair das ruas. "É ruim viver assim. Acordo logo cedo e tento ganhar alguma coisinha. Não tenho casa", disse Ana Maria. O esposo, Cícero Martins, o "Seu Madruga", disse estar feliz na rua, mesmo em meio às mazelas do mundo.

"Olhem, vou dizer uma coisa. Prefiro estar aqui, trabalhando com meu carrinho do que me envolver com corrupção e tudo o que é ruim. Sou de Deus, sou do bem e estou bem. Posso não ter estudo nenhum, ser o mais ignorante, mas tenho fé no meu coração e sabedoria para enfrentar as dificuldades", diz Cícero.

'E o material escolar deles?'

Na Praça da Assembleia Legislativa (ALE), uma família da cidade de Murici está acampada há quatro anos e viaja toda semana, para pedir dinheiro a pedestres e condutores. O detalhe é que as "reais vítimas" são crianças, ou seja, os filhos de pais que se acomodam nos bancos à espera do dinheiro ao final do dia.

Em uma entrevista, Luciana Maria da Silva, 42 anos, conhecida como "Bia", fica revoltada no momento da foto e impede que gravações e outras imagens sejam feitas. Mesmo com residência fixa em Murici, ela não se contenta e vem com os filhos para a capital. Confirma que teve 12 filhos, já deu cinco e "cria" os demais. Ela diz que sabe dos riscos, mas "os meninos têm que pedir mesmo para comprar comida e material escolar".

"Oxe, a gente fatura duzentos e cinquenta reais por semana. Dá para tirar um dinheiro bom. Tive que dar meus meninos porque não pude criar, mas jamais venderia. Até me ofereceram dez mil reais pelo meu pequeno. Agora, se chegasse um turista com uns trinta mil...", comenta, sem terminar a frase. Luciana recebe o Bolsa Família e disse que, se cada filho rendesse uma bolsa, teria todo ano. "Estou pensando em ter mais outro".

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Por: Gazeta Web

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