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O celular toca e, na tela, aparece o número de um banco, de um advogado, de uma empresa ou até de um órgão público. Ao atender, a pessoa ouve uma história aparentemente legítima, muitas vezes acompanhada de informações verdadeiras sobre sua vida, uma conta, um processo ou uma negociação. Quando percebe, surge o pedido de dinheiro — geralmente por Pix.
Esse tipo de abordagem utiliza o spoofing, recurso capaz de manipular a identificação apresentada em uma chamada para criar a impressão de que o contato vem de uma pessoa ou instituição conhecida. A técnica pode ser combinada com engenharia social, informações disponíveis na internet e ferramentas de inteligência artificial, deixando os golpes mais personalizados e difíceis de perceber.
Para Afonso Morais, advogado especialista em Direito Digital e fraudes digitais da Pardi e Morais Consultores Jurídicos, o primeiro ponto de atenção é justamente o número que aparece na tela. Ele não é uma prova de que a ligação realmente partiu daquela pessoa ou instituição. “O spoofing não precisa necessariamente roubar o número verdadeiro de uma pessoa ou instituição. Ele pode manipular a identificação que aparece para a vítima e, com isso, criar uma falsa sensação de que aquela ligação é legítima”, explica.
Como o golpe fica mais convincente
O criminoso pode combinar a identificação falsificada com informações reais para construir uma história que pareça familiar à vítima. Dados públicos de processos judiciais, por exemplo, podem ser usados por alguém que se apresenta como advogado ou representante de um escritório para dar aparência de legitimidade à conversa.
“O que torna esses golpes perigosos é a combinação de elementos verdadeiros e falsos. O criminoso pode conhecer o nome da pessoa, saber que ela tem determinado processo ou relacionamento com uma empresa e utilizar essas informações para construir uma história que parece fazer sentido”, afirma Afonso.
A inteligência artificial também amplia as possibilidades de personalização. Segundo o especialista, ferramentas desse tipo podem facilitar a produção de textos mais convincentes, clonagem de vozes e criação de abordagens adaptadas a cada vítima. “A inteligência artificial reduz o custo e aumenta a escala da fraude. O criminoso consegue produzir uma abordagem muito mais personalizada sem necessariamente possuir conhecimento técnico avançado”.
O risco aumenta quando a ligação termina em uma solicitação financeira. Pressionada pela urgência apresentada durante a conversa, a vítima pode fazer um Pix antes de confirmar quem realmente está do outro lado da chamada.
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Itarantim Agora com Correio da Bahia

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