CIÊNCIA DESFAZ MITOS: CONSUMO DE ÁLCOOL NÃO PROTEGE O CORAÇÃO (SAIBA MAIS/GN - SAÚDE)

Novas pesquisas mostram que não existe quantidade segura de álcool. Descubra como o vinho e outras bebidas afetam o fígado, cérebro e sono, desmistificando velhas crenças/Reprodução




Por muito tempo, a ideia de que uma taça de vinho por dia fazia bem para o coração esteve enraizada na nossa cultura. Era quase um conselho de saúde popular, não é mesmo? No entanto, as últimas descobertas da ciência vêm mudando essa história. As pesquisas mais recentes derrubam essa crença, mostrando que o consumo moderado de álcool, na verdade, não traz proteção para a saúde cardiovascular.




Essa mudança de visão é bem significativa. A Organização Mundial da Saúde (OMS) já deixou claro: não existe uma quantidade de bebida alcoólica que seja totalmente segura para a saúde humana. Essa declaração rompe com décadas de recomendações que até incentivavam doses pequenas de álcool como uma forma de prevenir doenças do coração.

A ciência evoluiu: do “paradoxo francês” à realidade atual

A percepção médica sobre o álcool passou por uma grande transformação ao longo dos anos. Nos anos 90, o famoso “Paradoxo Francês” nos fez acreditar que o vinho tinto, rico em antioxidantes, ajudava a anular os efeitos de gorduras e protegia o coração. Era uma época de otimismo em relação à bebida.

Mas essa visão começou a mudar. Lá pelos anos 2010, veio o alerta do câncer. Estudos importantes começaram a ligar até mesmo doses pequenas de álcool a um risco maior de desenvolver pelo menos sete tipos de câncer. Foi um choque para muita gente.

Hoje, a ciência chegou a uma “Tolerância Zero”: o consenso é que o risco para a saúde só é realmente zero quando há abstinência total. Isso significa que, muitas vezes, os supostos benefícios que se atribuíam ao consumo moderado de álcool vinham, na verdade, de outros hábitos saudáveis que essas pessoas já tinham, e não da bebida em si.

Quais órgãos sofrem mais com a ingestão regular?

Quando você bebe, o corpo entra em ação para processar o álcool. E quem trabalha mais nisso é o fígado. Ele é o grande responsável por filtrar as toxinas. Mesmo com pouca bebida, o fígado pode sofrer inflamações silenciosas. Com o tempo e o consumo frequente, essas inflamações podem virar fibrose, uma espécie de cicatriz que prejudica a capacidade do órgão de filtrar o sangue a longo prazo.

Mas não é só o fígado que sente. O cérebro também sofre. A exposição contínua ao álcool pode fazer o cérebro encolher fisicamente. Isso mesmo! Ele pode perder massa cinzenta e branca em áreas superimportantes para a memória e o raciocínio lógico. Essa degeneração nos neurônios acontece aos poucos, muitas vezes sem que a gente perceba, e pode afetar sua capacidade de pensar e lembrar muito antes da velhice.

Álcool e sono: um descanso enganoso

É comum ouvir que uma taça de vinho ajuda a relaxar e a dormir melhor. O álcool, de fato, pode funcionar como um sedativo no início, fazendo você pegar no sono mais rápido. Mas essa é uma ajuda enganosa.

O que acontece é que, depois de um tempo, o álcool atrapalha os ciclos profundos do sono REM, que são os mais importantes para um descanso reparador. Ou seja, você até dorme, mas seu sono fica fragmentado e de má qualidade. O resultado? Você acorda cansado, desidratado, porque seu corpo trabalhou a noite toda para processar a parte tóxica do álcool.

Existe uma quantidade de álcool considerada segura?

Diante de tudo isso, a pergunta que fica é: existe alguma dose segura? Autoridades de saúde de países como Canadá e na Europa já atualizaram suas recomendações. Elas sugerem que o risco de problemas de saúde permanece baixo apenas com duas doses de álcool por semana ou menos. Passar dessa quantidade aumenta e muito as chances de desenvolver doenças crônicas, como pressão alta e diabetes.

É bom lembrar que cada corpo reage de um jeito. Fatores como genética, peso e o metabolismo de cada um fazem toda a diferença. Por isso, a melhor saída para quem busca uma vida mais saudável é reduzir o consumo de álcool aos poucos e, quem sabe, trocar as bebidas alcoólicas por opções não alcoólicas em eventos sociais. Seu corpo agradece.

Chico Sabe Tudo


Nenhum comentário: